domingo, 29 de junho de 2008

Se partires, não me abraces

Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.


Se me abraçares, não partas.


Maria do Rosário Pedreira


Absolutamente lindo! Sem mais palavras! ;)**********

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dance With you





Live feat. Anouk - Dance With you


Sittin on the beach
The island king of love
Deep in fijian seas
Deep in some blissful dream
Where the goddess finally sleeps
In the lap of her lover
Subdued in all her rage
And Im aglow with the taste of the demons driven out
And happily replaced with the presence of real love
The only one who saves

I wanna dance with you
I see a world where people live and die with grace
The karmic ocean dried up and leave no trace
I wanna dance with you
I see a sky full of the stars that change our minds
And lead us back to a world we would not face

The stillness in your eyes
Convinces me that i
I dont know a thing
And I been around the world and Ive tasted all the wines
A half a billion times came sickened to your shores
You show me what this life is for

I wanna dance with you
I see a world where people live and die with grace
The karmic ocean dried up and leave no trace
I wanna dance with you
I see a sky full of the stars that change our minds
And lead us back to a world we would not face

In this altered state
Full of so much pain and rage
You know we got to find a way to let it go

Sittin on the beach
The island king of love
Deep in fijian seas
Deep in the heart of it all where the goddess finally sleeps
After eons of war and lifetimes
She smilin and free, nothin left
But a cracking voice and a song, oh lord

I wanna dance with you
I see a world where people live and die with grace
The karmic ocean dried up and leave no trace
I wanna dance with you
I see a sky full of the stars that change our minds
And lead us back to a world we would not face
We would not face
We would not face
We would not face
We would not face
We would not face

segunda-feira, 5 de maio de 2008

À minha Mãe


À minha Mãe

Sangue do teu sangue, do teu ventre nascida.

Sou eu, Mãe! A que te ama para além da vida!

O teu santo colo é meu único aconchego,

Quando preciso repousar a alma ferida.

E, se por vezes trocamos palavras magoadas,

Porque o nosso amor é tão puro e desmedido,

O vento as leva no silêncio das madrugadas.

És como a claridade nas minhas manhãs,

Não tens medo algum de sofrer comigo.

E eu que sem querer já tanto te fiz sofrer...

És minha amiga, companheira e abrigo.

Obrigado por tudo que fizeste por mim, Mãe!

Ofereço-te hoje, em jeito de poema,

As mais belas flores que o meu jardim tem.

Quando um dia para Deus eu te perder,

Vou guardar-te para sempre no coração.

Só tu serás minha Mãe, mais nenhuma quero ter.

Mas se o destino escreveu, que partirei primeiro,

Levar-te-ei comigo na alma, e noutro mundo saberei

Que jamais, neste ou noutro mundo,

Senti um amor tão verdadeiro!



Poema retirado de: "A beleza do meu Ser" Paula Correia

domingo, 4 de maio de 2008

NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!


MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA
CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.ºs 52º da Constituição da República Portuguesa, 247º a 249º do Regimento da Assembleia da República, 1º nº. 1, 2º n.º 1, 4º, 5º 6º e seguintes, da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)


Ex.mo Senhor Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro de Portugal

1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.
Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado), e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.
Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.

3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em “acordos” mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.
O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.

4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.
É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.
Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.
Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.
A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).

Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.

Os signatários,

Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra


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Todos podem e devem assinar esta petição contra este acordo ortográfico que em nada nos irá favorecer! Basta de venderem Portugal e os seus costumes e tradições! Basta de desrespeito para com a nossa cultura!
NÃO AO ACORDO ORTOGRÁFICO!!


Apelo a todos que assinem aqui

sábado, 22 de março de 2008

Boa Páscoa!




Uma Boa Páscoa a todos! ;)*****

Dia mundial da Poesia



Destino poeta

Alegre, sigo o meu caminho.

Acima de tudo, o mais importante

É seguir sorrindo sempre.

Na vida, escolhi ser poeta

E beber pela taça da liberdade.

Jogar novos jogos, ditar novas regras,

Fazer novas leis, viver novas vidas!

Inventar segredos...

Fazer tudo que me possa realizar.

Posso voar como um pássaro,

Mergulhar nos teus olhos,

Ser quem nunca fui

Ou alguma vez serei.

Escrever para mim e para ti,

Por mim e para toda a gente.

O teu sorriso é o mais belo poema

Que não me canso de escrever.

E assim sou eu:

Apaixonada, livre e eterna sonhadora.

Assim é o destino de quem escolheu ser poeta.

É entregar-se ao Mundo,

Amar a vida e ser livre.

Eu não quero fugir do meu destino poeta!


Paula Correia






Porque ontem foi Dia Mundial da Poesia!

domingo, 16 de março de 2008

Do not stand at my grave and weep

Do not stand at my grave and weep,
I am not there, I do not sleep.
I am in a thousand winds that blow,
I am the softly falling snow.
I am the gentle showers of rain,
I am the fields of ripening grain.
I am in the morning hush,
I am in the graceful rush
Of beautiful birds in circling flight,
I am the starshine of the night.
I am in the flowers that bloom,
I am in a quiet room.
I am in the birds that sing,
I am in each lovely thing.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there. I did not die.

Mary Elizabeth Fry

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Três anos de eterna saudade...


Avó Francica
- 7/8/1923 - 28/1/2005




A maior dor

Cresceste, querida avó, tão pobrezinha...
O pé descalço e um sorriso rasgado.
Tempo em que eras feliz e dançavas
E eras a mais linda do povoado!
A vida encaraste-a de frente,
Com a força que só há numa mulher.
Falavas de tristeza alegremente
E a todos nós tu deste um novo Ser.
Mas hoje neste dia tão cinzento,
As minhas mãos nas tuas, já tão frias,
Dão nova voz ao meu pior tormento.
Que possas ver-me tu da eternidade,
Já que adeus, eu não pude dizer-te
E o peito dilacera-se em saudade...

Paula Correia,

a tua neta que te ama muito.


Três longos anos, desde que te vi partir. Desapareceste da minha vida, mas nunca do meu coração...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Perder-te

Se soubesse que para sempre te perderia,

Fincava bem fundo as raízes minhas

No solo desgrenhado do teu coração.

Sorrindo ao espelho, eu não te vi presente.

Tinhas partido de mim, meu amor.

Olha, ao longe se avistam as gaivotas.

Batem asas no silêncio vespertino

E apontam-me os nossos destinos,

Separados, murados, escondidos...

E eu que fujo dos braços da água

Para olvidar-me da tua voz de mar.

Doem-me os olhos de não te ver.

Esta luz do Sol que não me aquece,

É a ausência tua, um fruto amargo,

Que a vida ousou plantar dentro de mim!


(A beleza do meu Ser - Corpos Editora)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Paula




Hoje perdi o meu sonho amado.

Deixei-me morrer em solo sagrado,

Como quem procura santificar a dor.

A vida foge-me entre os dedos

E eu a vê-la passar entre arvoredos,

Com a passividade de um lago.

Sou como a ovelha desgarrada.

Perdeu-se do rebanho, mais nada…

Bebi mágoas em pétalas de rosa!

Deixei passar o tempo mudo,

Pensava que o amor era tudo,

Ia recortando luas de papel.

Tinha tanta sede de viver,

Que imaginava que sofrer

Não era mais que sentir dor.

E assim se apagaram estrelas,

Aos santos se acenderam velas,

Inventou-se uma fé qualquer!

Nos olhos escuros, magoados,

Semeei lágrimas nos beirados,

Na esperança de voltar a sentir.

E a criança que dentro deles mora,

Por vezes, pergunta-me e chora:

“Oh, Paula! Porque não voltas a rir?”



(A beleza do meu Ser - Corpos Editora)